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História da aerodinâmica
Cenário : II Guerra Mundial (como muitas das minhas "historinhas"), Alemanha, mais ou menos em fevereiro de 45. Desafio: todo o comando aliado está entrincheirado em subterrâneos profundos de Londres, mas como alcançá-lo com bombardeios? Várias experiências feitas com bombas arrasa-quarteirão (bomba que, de tão grande e pesada, era carga única dos grandes bombardeiros) mostravam que elas eram muito eficientes para destruir grandes áreas, mas praticamente não mexiam com o que existia no subsolo. A idéia era desenvolver um tipo de bomba que penetrasse profundamente no solo e lá explodisse. Tentou-se de tudo, de desenhos diferentes dos narizes das bombas, até propulsão a foguete para facilitar a penetração. Mas o resultado final era sempre o mesmo: todas as bombas estavam limitadas a uma determinada profundidade, insuficiente para cumprir a missão.
Foi aí que aparece a figura de um jovem sub-oficial, que contou uma estória de criança. Quando ainda pequeno, ele havia saído com o tio no barco de pesca dele, para apreciar uma pescaria. Durante a pescaria, ele viu o tio lançando o arpão para pescar, perguntou ao tio se não era mais fácil matar os peixes com tiros da pistola que seu tio carregava. Apesar da inocência da pergunta, seu tio lhe mostrou que, apesar da potência do tiro, um arpão tinha muito mais capacidade de penetrar na água com um mínimo de esforço. Essa estória foi levada aos especialistas em fluidodinâmica, que após muitas elocubrações, concluíram que isso ocorria por causa da enorme relação comprimento/diâmetro, enquanto a bala mantinha esta relação próxima de 1.
Felizmente não houve tempo hábil para os alemães criarem bombas-arpões e realizarem seus intentos. Mas o conhecimento permanece, e é aplicado em todos os projetos como um princípio fundamental da fluidodiâmica.
Hoje pode ser encontrado no projeto aerodinâmico de veículos, na área de armamentos (já repararam como é alongado o projétil de um AR-15, feito para romper blindagens?), e é o principal elemento que trás de volta à Terra as capsulas espaciais, pois limita a velocidade de reentrada. E, se hoje temos carros mais rápidos, estáveis e econômicos em alta velocidade, devido à aplicação do uso da aerodinâmica em seus projetos, em parte o devemos a um dia de passeio num barco de pescaria...
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