a chave! Veja um exemplo para um Gol 1.8 Mi
As curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Gol 1.8 Mi original (em
azul), com turbo a 0,5 kg/cm2 sem intercooler (em rosa), com a mesma pressão e intercooler
(em verde), e com o booster regulado para 0,8 km/cm.
Quando os carros eram equipados com carburador o recurso do booster era muito usado, pois
era muito simples sua adaptação ao carburador. Com o advento da injeção o equipamento
caiu em desuso, pois muitos preparadores não sabem como adaptar a injeção para fornecer o
combustível extra necessário quando o booster entra em funcionamento. Explica-se: o turbo
promove uma aumento da vazão de ar consumida pelo motor, sendo então necessário adaptar
a injeção para fornecer combustível para esta quantidade adicional de ar, além de adaptar a
curva de ignição às novas condições de funcionamento. Mas a injeção só pode ter uma
programação; logo, se o preparador a regular para funcionar com 0,5 kg/cm2, ela não
fornecerá o combustível necessário nem obedecerá à curva de ponto correta quando o booster
entrar em ação e a pressão subir para 0,8 kg/cm2.
Mas com tecnologia tudo se torna possível. A solução mais usada nestes casos é remapear a
injeção para funcionar com a pressão mais baixa, no caso 0,5 kg/cm2, e colocar uma caixa de
gerenciamento de injeção e ignição, ajustada para operar com a pressão do booster, acionada
por um pressostato regulado para 0,51 kg/cm2. A partir desta última pressão até 0,8 kg/cm2,
a caixa de gerenciamento procederia aos ajustes necessários para operar com a maior pressão.
Este tipo de adaptação do booster, junto de todos os materiais necessários (incluindo a caixa
extra), custa por volta de R$ 600.
Para que o turbo entre em operação mais cedo é correta. Realmente deve-se optar por
turbinas menores, mais leves e com menor inércia, mas não se pode exagerar. Usar um turbo
apropriado a um carro 1.000 num motor 1.800 causaria overspeed (rotação acima do limite)
no turbo, pois como o motor maior consome muito mais ar, a turbina deverá girar com muito
maior velocidade para atingir a mesma pressão de operação. Isso sem falar na restrição no
fluxo do escapamento causada por uma turbina tão pequena.
O que deve ser feito é optar por um turbo leve, que pode ser um desenvolvido para motores
1.600; manter a taxa de compressão original, para que haja bastante pressão nos gases de
escapamento; e usar de preferência um turbo bipulsativo, que entra em operação bem mais
cedo que o convencional. Pode-se obter uma entrada em operação a apenas 200 rpm acima da
marcha - lenta, com pressão máxima já 1.000 rpm acima da marcha - lenta. Exemplo desse
acerto num turbo de fábrica é o motor de 1,8 litro dos Audi A3 e A4, cujo torque máximo se
verifica já a partir de 1.750 rpm. A injeção deve ser programada para só fornecer combustível
extra em rotações nas quais o turbo já está operando, e de modo proporcional à pressão
fornecida em cada rotação -- por isso a preocupação com o booster e a necessidade de uma
caixa de gerenciamento. Assim não há risco de danos ao catalisador por excesso de
combustível. Simulamos a adaptação de um turbo sem intercooler regulado para 0,5 kg/cm2 e
sem booster (pois o intercooler é muito recomendado para pressões mais altas que essa), um
turbo com intercooler e 0,5 kg/cm2, e o mesmo turbo com o booster acionado, aumentando a
pressão para 0,8 kg/cm2. O custo do kit turbo sem intercooler, junto do remapeamento
necessário, é de cerca de R$ 1.200. O intercooler sai por volta de R$ 250 e vale seu preço,
pois contribui para proteger o motor contra detonação e aumenta a potência fornecida.