|
CULTIVO DE MORANGO Introdução O cultivo de morangos, atualmente, no Brasil é uma atividade agrícola especializada, que exige dedicação, conhecimentos técnicos de alto nível e utilização de métodos modernos de manejo da cultura (pontos que combinados e conduzidos em bases racionais, proporcionam rendimentos compensadores). Não foi sempre assim. Esta atividade expandiu-se principalmente a partir da década de 1960, quando o Instituto Agrônomo de Campinas (IAC) introduziu cultivares, mais produtivos de excelente qualidade, como o Campinas IAC-2712. CENÁRIO. A comercialização é feita ao natural, congelada (frutos inteiros ou polpa) e polpa desidratada. No Brasil, São Paulo lidera a produção de morangos (31.266 toneladas em 816 ha, 1991). Cerca de 70% da produção é comercializada in natura e o restante para industrialização. O custo de produção chega a R$ 30,00/ha e cerca de 40% refere-se à colheita e embalagem. Quase toda a produção paulista é feita nas regiões de Atibaia, Jundiaí e Piedade. Preço mais elevados ocorrem até julho, antes do pico de produção que ocorre em agosto e setembro. PRINCIPAIS PRODUTORES. Os principais produtores são Rio Grande do Sul ( produção voltada para a indústria de processamento), Minas Gerais, Paraná e especialmente São Paulo, onde concentram-se os maiores municípios produtores, voltada em sua maior parte para atender ao mercado de frutos in natura. DICAS PARA INICIAR . MUDAS. Para produtores iniciantes, o melhor é começar com mudas compradas (normalmente no mês de fevereiro e transplantadas durante o mês de março para canteiros definitivos) até aprender os inúmeros segredos de manejo da cultura. Optando pela produção de mudas, sabe-se que uma matriz produz, em média, 200 mudinhas, e que o ideal é plantar a matriz entre os meses de agosto e setembro, ficando as mudas prontas para serem separadas em torrões, selecionadas e lavadas a partir do mês de fevereiro, sendo transplantadas no mês seguinte para o canteiro definitivo. Nesta seqüência, em 60 dias os primeiros frutos poderão ser colhidos. Mas são inúmeros os cuidados a serem observados, dentre eles o de que a planta é muito sensível a doenças e que se as mudas forem preparadas muito próximas às frutas que estão prontas para serem colhidas, existe o risco de contaminação. . CLIMA E SOLO. Fern, Selva e Tristar são cultivares insensíveis ao fotoperiodo; F. vesca é de dias longos; os demais mencionados são de dias curtos. Temperatura acima de 30º C inibe a floração e estimula a produção de estolhos. A geada danifica flores e frutos, especialmente os imaturos não protegidos pelas folhas. O desenvolvimento vegetativo ocorre a partir de 9º C. O morangueiro desenvolve-se melhor em solos de textura média, sem excesso de umidade e de matéria orgânica. . FOTOPERÍODO E TEMPERATURA. A interação entre fotoperíodo e temperatura, influencia grandemente a produção e a qualidade do fruto do morangueiro. Às variações no fruto, decorrentes das inúmeras combinações entre fotoperíodo ("comprimento do dia") e temperatura, denomina-se adaptação regional ou ambiental. Enfim, temperatura e "comprimento do dia" afetam substancialmente as qualidades comerciais do fruto: regiões mais quentes produzem morangos mais ácidos e menos saborosos; regiões de clima temperado (com dias ensolarados e noites mais frias) produzem frutos com melhor sabor, mais adocicados, firmes e com um aroma agradável; por sua vez, dias curtos estimulam a produção de frutos e dias longos favorecem a fase vegetativa da planta, isso quer dizer: estimulam a formação de estolhos. . ÉPOCA DE PLANTIO. O morangueiro é plantado desde o sul de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul. Em regiões quentes, como o Cerrado, o morango também pode ser cultivado, porém os agricultores devem armazenar as mudas a 4ºC, por cerca de 15-20 dias, para, posteriormente, plantá-las nos canteiros definitivos. Para exibir todo o seu potencial produtivo, o morangueiro necessita de dias curtos e temperaturas amenas ou baixas. Essas condições estimulam o florescimento e, consequentemente, a produção dos frutos. Por outro lado, sob condições de dias longos e temperaturas elevadas, o crescimento vegetativo é estimulado. O conhecimento desses aspectos é útil para definir a época de plantio e/ou a época para a produção de mudas. Dessa maneira, o plantio do morangueiro para a produção de frutos deve ser feito de fevereiro a maio, enquanto que para a produção de mudas a época preferencial é de setembro a outubro. . ESPAÇAMENTO E MUDAS NECESSÁRIAS. a) produção de mudas: entre 1,5 a 3,5 m2 por matriz, obtendo-se de 75 a 150 mudas por metro quadrado para a maioria dos cultivares; b) produção de frutos: 30 X 30 a 35 cm, sendo as plantas dispostas em quadrado ou quincôncio, em canteiros com 2 a 4 fileiras, em função do porte do cultivar e da umidade do ar no local. São utilizadas de 65 a 80 mil mudas por hectare, de acordo com o espaçamento e a área de carreadores utilizados. . TÉCNICAS DE PLANTIO. canteiros com 20 a 50 cm de altura, em função da textura do solo (maior para os pesados), e geralmente 1,2 m de largura, para 4 fileiras de plantas. As mudas são normalmente comercializadas de raiz nua e plantadas diretamente nos canteiros de produção de frutos. O enviveiramento em canteiros durante 30 dias, ou o estabelecimento em recipientes, diminui a morte de mudas no transplante e propicia colheitas mais precoces. O plantio é manual. . PRODUÇÃO DE MUDAS. deve constituir atividade distinta da produção de frutos, envolvendo a produção de matrizes em telado (melhor com cobertura de filme plástico) e a multiplicação das matrizes em campo. Propagar em telado apenas clones livres de vírus. Adotar sistema de propagação em bandejas ou outros recipientes, sem contato direto com o solo, usando substrato ou composto desinfestado quimicamente ou por calor. Manter rigoroso controle fitossanitário e tomar medidas para evitar mistura de cultivares. Fazer a multiplicação de campo em terrenos de meia encosta, afastados pelo menos 300 m de outros lotes de morangueiro. Usar glebas em pousio, ou cultivadas com leguminosas ou gramíneas, por 2 anos ou mais. Viveiristas especializados, registrados e fiscalizados pela Secretaria da Agricultura e Abastecimento, vêm produzindo a maior parte das mudas consumidas em São Paulo, contudo, muitos produtores de frutos produzem as mudas que usam. O Instituto Agronômico vem fornecendo matrizes básicas de morangueiro livres de vírus desde 1968. Cooperativas e empresas privadas, algumas utilizando micropropagação in vitro, vêm produzindo matrizes. . COLHEITA. o início depende do clima da região, variando de abril (Piedade, culturas de "soqueira" ou "tiguera"), maio (Atibaia/Jundiaí) a junho (regiões de clima mais quente), podendo estender-se até dezembro, com pico em agosto e setembro. É feita manualmente, no ponto de colheita "maduro" para fins industriais e de "1/2 a 3/ 4 maduro", para comercialização in natura. São necessárias seis pessoas fixas por hectare e mais seis no pico de colheita. . COMERCIALIZAÇÃO. em caixetas (cumbucas) de madeira, de papelão ou de poliestireno expandido (isopor), com capacidade entre 250 e 800 g. Os frutos geralmente são dispostos em fileiras em uma ou duas camadas. Para mercado mais nobre já se utiliza caixa plástica transparente e com tampa. A classificação é por tamanho, sendo "extra" acima de 14 g e "de primeira" de 6 a 14g. Para uso industrial a fruta é embalada solta, em caixas de madeira com 5 Kg. A conservação do fruto é favorecida em atmosfera com 20% de gás carbônico (CO2); a cobertura da embalagem com filme plástico retarda a deterioração por reter CO2 produzido pelos frutos. TRATOS CULTURAIS . IRRIGAÇÃO. O morangueiro exige grande disponibilidade hídrica para atingir altas produções. As irrigações devem, inicialmente, ser diárias até 30-40 dias após o plantio, e depois, a cada duas vezes por semana. Podem ser realizadas por aspersão ou gotejamento. Devem-se evitar irrigações excessivas que podem facilitar a incidência de doenças na lavoura. . COBERTURA DO SOLO (MULCHING). A cultura do morangueiro exige a cobertura do solo para evitar o contato dos frutos com o mesmo, e dessa maneira a proliferação de fungos causadores de podridões. Além disso, a cobertura do solo propicia um bom controle de ervas invasoras, a manutenção da umidade e evita a morte das raízes superficiais. Em trabalho realizado com o cultivar Chandler foi comprovado um aumento em termos de produção na ordem de 50 a 60% em relação ao cultivar sem cobertura, quando se utilizou cobertura do solo com diversos tipos de plásticos. Aliás, diversos materiais têm sido pesquisados e utilizados para este fim, desde produtos naturais até os sintéticos; atualmente o mais usado e que na realidade parece ser o melhor é o polietileno preto. Porém, outros materiais utilizados, como fita de madeira picada, casca de arroz, palha de cereais, bagaço de cana picada, capim sem semente, acículas de pinus, serragem e outros. A cobertura do solo deve ser feita logo após o plantio das mudas. CULTIVARES. . DOVER - origem: Univ. Florida, EUA, 1979. Produtividade alta, fruto firme de boa conservação pós-colheita. Adequado para mercados distantes das áreas de produção. Apresenta tolerância a fungos de solo. Tornou-se nos últimos anos a cultivar mais plantada no Brasil. . CAMPINAS (IAC-2712) - origem: IAC, Campinas, Brasil, 1960. Cultivar para mesa, boa produtividade, fruto doce. Apresenta pouca exigência em frio, sendo por isso especialmente indicada para plantios visando colheita precoce. . AGF 80 - origem: Agroflora, Brasil. Cultivar com características semelhantes à Campinas. . OSO GRANDE - origem: Univ. California, EUA, 1987. Cultivar para mesa, fruto grande, firme e doce. Grande aceitação no mercado. Sensível a fungos de solo. . CAMAROSA - origem: Univ. California, EUA, 1992. Cultivar para mesa, precoce, fruto grande, firme e de bom sabor, coloração interna vermelho intenso. Resistente ao transporte. . SWEET CHARLIE - origem: Univ. Florida, EUA, 1997. Cultivar para mesa, precoce, fruto firme e doce. Alta produtividade. . TUDLA (MILSEI) - origem: Tudela, Espanha, 1992. Cultivar para mesa, fruto grande e firme, coloração vermelho brilhante. Sensível a fungos de solo. . SEASCAPE - origem: Univ. California, EUA, 1991. Cultivar de dia neutro. Fruto grande e firme, coloração vermelha externa e interna. Sensível a fungos de solo. Mais indicada para regiões serranas do sul do Brasil, para cultivo de verão. . TOYONOKA - origem: Japão, 1975. Fruto de excelente aroma e sabor, produtividade média. Normalmente consegue preço diferenciado no mercado. . GUARANI (IAC-5074) - origem: IAC, Campinas, Brasil, 1979. Fruto cônico, sabor ácido, coloração vermelha externa e interna. Boa produtividade. Mais indicada para industrialização. . PELICAN - origem: Depto. de Agric. dos EUA, Louisiana, 1996. Planta vigorosa, fruto atrativo, simétrico, grande, firme, de boa coloração. Possui sabor e aroma acentuados. DOENÇAS. O morangueiro é atacado por uma série de doenças que podem ser agrupadas, de maneira didática, em diferentes grupos, de acordo com o agente causal: doenças causadas por fungos, por bactérias, por vírus e por nematóides. . FUNGOS. Nesse grupo estão as doenças fúngicas, cujas principais são: Antracnose, manchas foliares, murchas e podridões dos frutos. Como medidas para o controle recomenda-se o uso da cobertura do canteiro com filme de polietileno, a colheita nos períodos mais secos do dia, o transporte e o armazenamento em baixas temperaturas, e o uso de fungicidas específicos. . BACTÉRIAS. Nesse grupo ocorre uma doença conhecida por mancha-angular, causada pela bactéria Xanthomonas fragariae. Essa doença foi um problema potencial na segunda metade da década de setenta, sendo controlada através de um rigoroso programa de erradicação das mudas e plantas contaminadas. Atualmente é uma doença sob controle. . VÍRUS. No morangueiro ocorrem diferentes tipos de viroses: mosqueado, que é o tipo mais comum, clorose marginal, encrespamento e faixa das nervuras. O controle para viroses deve ser feito através: de mudas sadias; da eliminação de plantas doentes; do controle dos insetos vetores (pulgões); da utilização de matrizes testadas e isentas de viroses. . NEMATÓIDES. Como nematóides parasitas do morangueiro, podemos encontrar: Aphelenchoides besseyi, parasita da parte aérea; Meloidogyne hapla, parasita das raízes e Pratylenchus vulnus, parasita das raízes. Como conseqüência do ataque de nematóides ocorre uma maior dificuldade para a planta absorver água e nutrientes, o que leva ao aparecimento dos sintomas: murchamento; amarelecimento; subdesenvolvimento e redução da produção. Para controlar os nematóides recomenda-se: uso de mudas sadias; arrancar e destruir plantas contaminadas; evitar plantio em áreas já contaminadas; rotação de culturas; revolvimento do solo em períodos quentes do dia. Eventos . Festa do Morango de Monte Alegre do Sul Informações: (0--19) 3899-1403. FORNECEDORES DE MUDAS . MULTIPLANTA – Tecnologia Vegetal Av. Ricarti Teixeira, 1.364 – Andradas – Minas Gerais CEP. 37795-000 Tel. (035) 3731-1649 E.mail:
Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo.
Site. http://www.multiplanta.com.br FORNECEDORES DE TELAS DE SOMBREAMENTO . DISK SOMBRAX R. São Paulo, 356, Alphaville, Barueri – São Paulo CEP: 06465-130 TEL. 0800.7015657 SITE http://www.nortene.com.br Endereços na Internet: EMBRAPA http://www.cnpmf.embrapa.br/ MUDAS DE MORANGO http://www.multiplanta.com.br SÍTIO VIRTUAL http://www.srjundiai.com.br/morango.htm
|