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Mulheres em cargos de chefia: uma tendência do mercado Mulheres em cargos de chefia: uma tendência do mercado Pesquisa revela que aumento ocorre principalmente em áreas onde existe necessidade de maior sensibilidade e habilidade para lidar com as pessoas. Está aumentando a participação das mulheres em cargos de chefia nas empresas. Embora em número ainda pequeno se comparado proporcionalmente à presença masculina em posições de comando, as mulheres já têm espaço significativo como líderes em suas áreas de atuação e continuam avançando. No final de 1996, elas representavam 34,6% do total de profissionais encarregados setorialmente e 22,7% do total de chefes num universo de 390.000 executivos brasileiros. Desse total, 49.000 são presidentes ou gerentes-gerais nas empresas onde trabalham e, nesse grupo que ocupa a primeira posição, as mulheres são pouco mais de quatro mil, o que significa 8,4% do total. Nesse caso, praticamente não houve alteração durante o período pesquisado (maio/1995 a novembro/1996) pelo Grupo Catho, de consultoria, mas elas avançaram na ocupação de cargos de direção, gerência e supervisão. Em entrevista recente à edição brasileira da revista Marie-Claire, a professora da Fundação Getúlio Vargas Cristina Narroudé de Paula Leite afirmou que a mulher está trazendo uma nova visão para as organizações. Ela acredita que as mudanças ocorridas na década de 1990 têm relação com a maior presença feminina nos postos de chefia e observa que "os valores femininos rapidamente tornam-se essenciais". Elas são mais tolerantes Autora do livro Mulheres - muito além do teto de vidro", publicado pela Editora Atlas, Cristina destaca, entre os comportamentos femininos no trabalho, o maior grau de tolerância das mulheres. Tentar sempre "compor" com os outros é uma característica bem feminina, enquanto os homens preferem mandar e ser obedecidos, diz ela, concluindo que as mulheres são observadoras e, ao perceberem que outra pessoa tem razão, aceitam mudanças com mais facilidade. A ex-prefeita de Salvador, Lídice da Mata, também entrevistada pela Marie-Claire, segue raciocínio semelhante. Embora afirme não fazer distinção entre homens e mulheres, Lídice admite que a mulher tem mais tolerância e atribui o fato ao entendimento de problemas familiares. Essa característica, na opinião de Lídice, favorece a mulher na função de administrar. Quando prefeita, ela teve o exemplo bem visível: começou com um secretariado majoritariamente masculino e terminou com seis mulheres em postos-chave (educação, serviços públicos, infra-estrutura, comunicação, limpeza urbana e processamento de dados). O aumento do número de mulheres em posições de liderança, especialmente em áreas nas quais há necessidade de maior sensibilidade e habilidade para lidar com as pessoas, é evidenciado pelos números na pesquisa realizada pelo Grupo Catho, como observa a vice-presidente executiva da empresa, Silvana Case. No setor de Recursos Humanos, por exemplo, a participação das mulheres subiu de 36,3% em maio de 1995 para 40,2% em novembro de 1996. Avanço reflete ação A maior participação das mulheres nas empresas, na opinião de Silvana, reflete sua atuação na sociedade. Há alguns anos, diz ela, as mulheres eram exceção no quadro político, mas, hoje, além de deputadas e senadoras, elas ocupam cargos executivos em governos estaduais e prefeituras. É claro que o avanço tem custado o esforço contínuo da ala feminina. Lídice da Mata, deputada constituinte, lembra que a mulher era uma estranha no Congresso Nacional em 1988. "Havia 27 mulheres na Constituinte, mas não havia banheiro feminino". Naquele momento, a luta das mulheres foi pela participação nas comissões de trabalho. Hoje, a ex-deputada e ex-prefeita avalia positivamente a experiência: "Conseguimos. Acho que civilizamos as relações; os parlamentares ficaram mais educados, as piadas menos pesadas". No universo empresarial brasileiro, as mulheres executivas têm espaço significativo na Grande Belo Horizonte. Segundo a pesquisa do Grupo Catho, 51,1% dos encarregados setoriais nas empresas da região são mulheres. Elas são 11,5% dos profissionais em cargo de presidência; l6,9% do total de vice-presidentes; 14,7% dos diretores; 20,1% dos gerentes; e 25% dos chefes. No Rio Grande do Sul ocorre o oposto; as mulheres têm uma das mais baixas participações em postos de comando entre as regiões pesquisadas (São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais). Apenas 5,9% dos presidentes ou gerentes-gerais são do sexo feminino; em cargos de vice-presidentes, as mulheres são 5,3%; na diretoria, são 12,2%; entre os cargos de gerência, são 10,2%. Salários maiores Quanto à remuneração, Silvana afirma que, ao alcançar postos de diretoria, a mulher tende a ganhar mais que o homem. Em pesquisa anterior, ela apurou que, nas empresas de grande porte, o salário das executivas em cargos de diretoria chegava a ser 22,8% maior do que a remuneração dos homens. De modo geral, entretanto, os salários masculinos continuam mais elevados. Nos cargos abaixo da diretoria, nas grandes empresas, as mulheres ganham 7,8% menos que os homens e, nas pequenas e médias companhias, essa diferença chega a 25,4%. De qualquer forma, as mulheres estão conquistando novos espaços e levando à linha de frente das organizações empresariais um jeito de ser e olhar feminino, como declarou à Marie-Claire a presidente da Arco Química, Lucila de Ávila Machado: "Nós temos muito mais pudor e cuidado em pisar no terreno alheio. Isso pode até atrapalhar a ascensão na carreira, mas talvez seja mais efetivo a longo prazo". Quando se trata de emoção, a mulher também está se apresentando. A dermatologista Valéria Petri, por exemplo, transita com tranqüilidade nesse terreno, admite que dá um tom afetivo-emocional às próprias escolhas e explica: "É isso que traz equilíbrio emocional; sem equilíbrio é difícil progredir. É a tal da inteligência emocional de que todos estão falando; a vida de quem não lida com suas emoções no trabalho não é tão produtiva".
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